# Tudo o que você precisa saber sobre o novo test runner do Node.js

Saiba tudo sobre o novo test runner do Node.js 18 e como você pode usá-lo para testar seu código.

- URL: https://blog.lsantos.dev/node-test-runner/
- Published: 2022-05-25
- Updated: 2026-07-16
- Category: javascript
- Tags: nodejs, javascript, development
- Language: pt
- Author: Lucas Santos

---
Como eu já mencionei [nesse outro artigo](/node-18/), o Node.js 18 veio cheio de novidades, entre eles a disponibilidade global do comando `fetch` e o começo da adoção do prefixo `node:` para importação de módulos do sistema que, inclusive, vamos precisar usar para falar de outra adição: o **test runner** nativo do sistema.

## O que é um test runner

Antes de começar eu quero dar uma breve introdução do que é um test runner e por que ele é tão necessário em praticamente qualquer ambiente de desenvolvimento.

Qualquer código pode ser testado automaticamente, isso significa criar uma outra porção de código – que, ironicamente, não é testado – que contenha uma chamada para a função original e guarde o resultado dessa chamada para ser comparado com uma saída de sucesso ou de erro dependendo do caso a ser testado.

As bibliotecas para fazer a asserção (testar se um resultado é o esperado) já são nativas com o módulo `assert` do Node.js, então poderíamos ter um arquivo como esse aqui:

```js
const add = (a, b) => a + b
export { add }
```

E testar essa função simples usando o módulo `assert`:

```js
import { add } from './function.mjs'
import assert from 'node:assert'

let result = add(1, 2)
assert.equal(result, 3, 'add(1, 2) should return 3')

result = add(1, '2')
assert.equal(result, 3, 'add(1, "2") should not return 3')
```

Para executar é tão simples quando `node addTest.mjs`, no entanto o que aconteceria se a gente tivesse centenas ou milhares de testes? Iríamos continuar executando o mesmo arquivo? Separar em vários? Como lidaríamos com o crescimento e automação da base?

E é ai que os test runners entram em cena. O trabalho deles é orquestrar as execuções de testes para que elas sejam as mais eficientes possíveis e, ao mesmo tempo, informativas. Provendo dados como cobertura de código e erros internos.

### Por que um test runner?

Ferramentas como o Mocha, Jest, Jasmine e Ava já são super conhecidas no mercado por existirem desde... Bom... Desde sempre, então por que o test runner do Node faria alguma diferença? Já temos ótimas ferramentas por ai...

A resposta é simples: padronização. Um dos maiores problemas, pelo menos na minha opinião, é que todas essas ferramentas se comportam de maneiras diferentes e tem APIs diferentes – se não a gente não teriam diferentes ferramentas – e isso reduz cada vez mais a quantidade de pessoas que executam testes automatizados em seus códigos.

Não escrever testes leva a uma maior quantidade de sistemas não testados que são suscetíveis não só a falhas de securança (no caso mais grave), como também a falhas críticas de sistema, e muitos sistemas críticos não possuem testes.

Com ferramentas nativas do ecossistema ao invés de ferramentas terceiras, diminuimos tanto a barreira para a entrada de devs que vão escrever testes de forma nativa, como também padronizamos a API para que outras ferramentas possam ser intercambiáveis entre si.

## O `node:test`

O módulo test é a solução para o problema que eu acabei de mencionar, ele está disponível a partir da versão 18 do Node.js, embora você precise instalar a versão 18.1.0 para conseguir rodar a ferramenta com sucesso na linha de comando (não me pergunte o porquê).

Apesar de estar presente na versão LTS, o estado da API de testes ainda está descrito como **experimental**, ou seja, a API tem compatibilidade próxima da final com o resto do sistema, mas é possível que as próximas versões sofram algumas alterações ou até tenham comandos removidos, portanto ainda não é aconselhável para ambientes de produção.

### Usando o `node:test`

Começando com a importação, já vamos ver uma grande diferença, precisamos importar o módulo com o prefixo `node:`, se o módulo `test` não for importado seguindo o prefixo, o Node vai tentar carregar um módulo local chamado `test`.

> No momento só esse módulo tem esse requerimento, mas eu acredito que isso seja parte de um plano de longo prazo de converter todos os módulos nativos para dentro do prefixo `node:`

As linhas mais comuns serão:

```js
import test from 'node:test'
```

O módulo vai exportar uma função chamada `test` (que a gente poderia muito bem chamar do que a gente quisesse, o mais comum é o `describe`). A função tem a seguinte assinatura:

```ts
type Options = { 
  concurrency: number, 
  only: boolean, 
  skip: boolean | string, 
  todo: boolean | string 
}

type test = (name: string, options?: Options | Function, fn: Function) => Promise<any>
```

-   `name`: o nome do teste, será aqui que você vai descrever o que o teste está testando
-   `options`: Um objeto opcional de opções, se não for passado, o segundo argumento será a função de teste a ser executada
    -   `concurrency`: O númeto de testes que podem ser executados ao mesmo tempo dentro desse escopo, se não especificado, os subtestes vão herdar do parente mais próximo
    -   `only`: Se for `true`, quando o CLI for executado em modo `--only` esse teste será executado, se não será pulado
    -   `skip`: Por padrão é `false`, se for `true` ou uma string, pulará o teste (com a string sendo a razão)
    -   `todo`: A mesma coisa do `skip` porém o teste é marcado como to-do, ou para ser feito.
-   `fn`: A função a ser executada como teste, só é o terceiro parâmetro se houver um objeto de opções. Ela pode ser uma função síncrona ou assíncrona.

Um teste pode ter 3 tipos:

-   **Síncrono**: uma função síncrona que vai dar o teste como falho se houver um `throw`

```js
test('teste síncrono passando', (context) => {
  // Não lança exceções, portanto o teste passa
  assert.strictEqual(1, 1);
});

test('teste síncrono falhando', (context) => {
  // Lança uma exceção e gera uma falha
  assert.strictEqual(1, 2);
});
```

-   **Assíncrono com [Promises](https://dev.to/_staticvoid/series/1993):** Uma função assíncrona na forma de uma Promise que vai falhar se a promise for [rejeitada](https://dev.to/_staticvoid/series/1993)

```js
test('assíncrono passando', async (context) => {
  // Sem exceções, a Promise resolve, sucesso!
  assert.strictEqual(1, 1);
});

test('assíncrono falhando', async (context) => {
  // Qualquer exceção faz a promise rejeitar, portanto: erro
  assert.strictEqual(1, 2);
});

test('falhando manualmente', (context) => {
  return new Promise((resolve, reject) => {
    setImmediate(() => {
      reject(new Error('podemos falhar a promise diretamente também'));
    });
  });
});
```

-   **Assíncrono com Callbacks:** A mesma coisa do anterior, porém a função de teste recebe um segundo parâmetro de callback (geralmente chamado de `done`) que, se executado sem nenhum parâmetro, irá fazer o teste ser bem sucedido, caso contrário, o primeiro parâmetro será o erro.

```js
test('callback passando', (context, done) => {
  // Done() é a função de callback, sem parâmetros, ela passa!
  setImmediate(done);
});

test('callback falhando', (context, done) => {
  // Done é invocado com um parâmetro de erro
  setImmediate(() => {
    done(new Error('Mensagem de erro do teste'));
  });
});
```

Para deixar mais próximo do que já utilizamos hoje, como eu mencionei no início, podemos chamar a função `test` como `describe`:

```js
import describe from 'node:test'

describe('Meu teste aqui', (context) => {})
```

### Subtestes

Assim como os frameworks de teste mais famosos, o Node test runner também possui a capacidade de fazer subtestes.

Por padrão a função `test` vai aceitar um segundo parâmetro, como você deve ter percebido nos exemplos anteriores, que é uma função que leva dois parâmetros, um `context` e, se passado, um `callback` que é chamado de `done`.

O objeto de contexto é uma classe do tipo `TextContext` e vai ter as seguintes propriedades:

-   `context.diagnostic(message: string)`: Você pode usar essa função para escrever saídas em texto para o protocolo TAP, que vamos comentar mais para frente. Pense nisso como uma saída de debug, ao invés de um `console.log`, você poderá usar o `diagnostic` para poder receber as informações no final do relatório dos testes.
-   `context.runOnly(shouldRunOnlyTests: boolean`: É uma forma programática de executar o test runner com a flag `--test-only`, se o parâmetro da função for `true` esse contexto só vai rodar testes que tem a opção `only` setada. Se você executar o Node com `--test-only` essa função não é executada.
-   `context.skip([message: string])` e `context.todo([message: string])`: O mesmo que passar os parâmetros `skip` e `todo` para a função
-   `context.test([name][, options][, fn])`: É recursivamente a mesma função, dessa forma elas podem continuar sendo aninhadas

Para criar um subteste, basta chamar `context.test` dentro de um `test` de mais alto nível:

```js
test('top level', async (context) => {
  await context.test('subtest 1', (context) => {
    	assert.strictEqual(1,1)
  })
    
  await context.test('subtest 2', (context) => {
    	assert.strictEqual(1,1)
  })
})
```

É importante notar que os subtestes precisam ser assíncronos, caso contrário as funções não irão ser executadas.

### Skip, only e todo

Os testes podem receber flags especiais como parâmetros, atualmente existem 3 flags existentes:

-   `skip` vai ser pulado caso a opção `skip` seja resolvida para `true`, ou seja, uma string ou qualquer outro valor. Se for uma string, como já comentei antes, a mensagem será exibida na saída do teste no final:

```js
// Skip sem mensagem
test('skip', { skip: true }, (t) => {
  // Nunca executado
});

// Skip com mensagem
test('skip com mensagem', { skip: 'this is skipped' }, (t) => {
  // Nunca executado
});

test('skip()', (t) => {
  // Tente sempre retornar a chamada da função
  return t.skip();
});

test('skip() com mensagem', (t) => {
  // Tente sempre retornar a chamada de função
  return t.skip('this is skipped');
});
```

-   `only` é uma flag utilizada quando o test runner é executado com a flag `--test-only` na linha de comando. Quando essa flag é passada, somente os testes com a propriedade `only` como `true` serão executados. Essa é uma forma bastante dinâmica de pular ou rodar somente testes específicos.

```js
// Vamos assumir que rodamos o comando node com a flag --test-only
test('esse vai ser executado', { only: true }, async (t) => {
  // Todos os subtestes dentro desse teste vão rodar
  await t.test('vai ser executado');

  // Podemos atualizar o contexto para parar de executar
  // No meio da função
  t.runOnly(true);
  await t.test('o subteste vai ser pulado');
  await t.test('esse vai ser executado', { only: true });

  // Voltando para o estado anterior
  // onde executamos todos os testes
  t.runOnly(false);
  await t.test('agora este também vai rodar');

  // Explicitamente não executando nenhum destes testes
  await t.test('skipped 3', { only: false });
  await t.test('skipped 4', { skip: true });
});

// A opção `only` não é setada então o teste não vai ser executado
test('não executado', () => {
  // Nunca vai rodar
  throw new Error('fail');
});
```

-   `todo` é uma simples mensagem que vai marcar o teste como "a fazer", ao invés de executar ou pular o teste. Ela funciona exatamente como todas as demais flags e pode também ser definida no objeto de opções.

## Rodando da linha de comando

Para executar, podemos simplesmente rodar o comando `node` seguido da flag `--test`, se quisermos executar arquivos específicos, basta que passemos eles para o comando como último parâmetro:

```bash
$ node --test arquivo.js outro.cjs outro.mjs diretorio/
```

Se não passarmos nenhum parâmetro, o runner vai seguir os seguintes passos para determinar quais são os arquivos de testes a serem executados:

1.  Sem passar nenhum caminho, o cwd, ou diretório de trabalho será o diretório atual, que será recursivamente buscado nos seguintes termos:
    1.  O diretório **não** é o `node_modules` (a não ser se específicado)
    2.  Se um diretório chamado `test` é encontrado, todos os arquivos dentro deste diretório serão tratados como arquivos de teste
    3.  Para todos os demais diretórios, qualquer arquivo com a extensão `.js`, `.cjs` ou `.mjs` são tratados como teste se:
        -   São chamados `test` seguindo a regex `^test$` como em `test.js`
        -   Arquivos que começam com `test-` seguindo a regex `^test-.+`, como `test-exemplo.cjs`
        -   Arquivos que possuam `.test`, `-test` ou `_test` no final dos seus nomes base (sem a extensão), sequindo a regex `.+[\.\-\_]test$`, como `exemplo.test.js` ou `outro.test.mjs`

Cada teste é executado em seu próprio processo filho usando `child_process`, se o processo finaliza com o código 0 (sem erro), é considerado como correto, caso contrário será uma falha.

> O mais interessantes é que qualquer tipo de teste que emita uma saída TAP poderá ser executado pelo test runner do Node, mesmo que ele não use o `node:test` internamente.

### Usando o TAP para uma saída mais legível

O test runner usa um protocolo bastante famoso chamado TAP (_Test Anything Protocol_), ele é ótimo, mas é extremamente feio e difícil de ler quando executamos através da linha de comando. Além de que a saída padrão não possui algumas análises como a de cobertura de código.

Para isso, existem pacotes como o [node-tap](https://www.npmjs.com/package/tap), que fazem o parsing desse protocolo para exibir de forma muito mais amigável a saída do usuário. Para usar basta instalar localmente ou globalmente:

```bash
$ npm i [-g] tap
```

O tap aceita qualquer input do _stdin_ então basta que façamos um pipe para ele ao rodar os testes com: `node --test | tap`, e ai podemos obter uma saída bem mais fácil tanto para erros:

![](./image-2.png "Uma saída de erro do TAP melhorada")

Quanto para sucessos:

![](./image-3.png "Uma saída de sucesso do TAP melhorada")

## Conclusão

O test runner do node vai ser uma das ferramentas que mais podem impactar fluxos de código em praticamente todas as aplicações e isso significa que é possível que outros pacotes e outros sistemas comecem a utilizar essas premissas para definir o padrão de testes em todos os ambientes JavaScript.

Lembrando que a documentação do pacote [está no ar](https://nodejs.org/api/test.html) no site do Node!
